O esporte como ponte entre comunidade, justiça social e preservação
No coração da Praia do Preá, onde o vento sopra forte e constante, o kitesurf atrai praticantes do mundo todo. É um cenário reconhecido internacionalmente como um dos melhores lugares do planeta para o esporte. Mas para muitos moradores da região, essa proximidade nunca se traduziu em oportunidade. O alto custo de equipamentos e aulas mantém um oceano de distância entre a comunidade local e a prática.
Foi para mudar essa lógica que nasceu o No Mar: um projeto que entende o esporte não apenas como lazer ou performance, mas como uma poderosa ferramenta de acesso, justiça social e consciência ambiental. Desde a sua criação, o No Mar parte de um princípio simples e transformador: abrir caminhos para que jovens e adultos da região possam experimentar, aprender e se apropriar de um território que sempre foi deles — mas que, muitas vezes, não lhes foi acessível.
Bento: do reciclável ao velejo, uma trajetória de sonho, cuidado e pertencimento
Entre as muitas histórias que cruzam as velas do projeto, está a de Bento Ferreira Neto, 27 anos. Cooperado e catador na Coopbravo, fotógrafo nas horas vagas, Bento sempre viveu com o mar no horizonte. Cresceu vendo turistas e atletas colorirem o céu com pipas e velas, mas nunca imaginou que um dia também sentiria a força do vento nas próprias mãos.
“Era um sonho que parecia impossível”, conta. “Mesmo morando aqui, nunca tive condições de pagar para aprender.”
Quando chegou ao No Mar, Bento trouxe mais do que curiosidade: trouxe uma vivência de cuidado com o ambiente, herdada da rotina na cooperativa de reciclagem. Com o tempo, percebeu que velejar ia muito além da técnica.
“Um esporte que depende praticamente do vento — o único impacto ambiental é o do próprio praticante. E é dever dele cuidar”, reflete. Desde que começou a velejar, ele notou mudanças reais: menos lixo na praia onde o SECI atua e mais pessoas envolvidas na preservação.“
Do litoral do Ceará para os debates globais da COP-30
Essa conexão entre prática esportiva e responsabilidade ambiental é um dos pilares do No Mar. Aqui, aprender a velejar também é aprender a proteger. Do módulo de natação, que garante segurança aquática, até a introdução ao kitesurf, todo o percurso é pensado para formar não apenas atletas, mas cidadãos conscientes do impacto que têm sobre o meio ambiente.
O projeto acredita que acesso e justiça social não são apenas valores, mas estratégias de transformação. E que investir em formação local é investir no próprio futuro do território. É com essa visão que o No Mar se mantém fiel às suas origens: promovendo inclusão, fortalecendo vínculos e gerando pertencimento.
Enquanto o mundo se volta para debates globais sobre clima e sustentabilidade, como os que estarão no centro da COP-30, nós seguimos fazendo a nossa parte agora — e daqui, do litoral do Ceará, mostramos que ações locais podem gerar impactos profundos tanto quanto compromissos internacionais. Cada vela içada, cada jovem formado, cada praia limpa é uma contribuição concreta para um futuro mais justo e sustentável.
Assim como o vento move as velas, histórias como a do Bento movem o No Mar a seguir firme no rumo certo. E, nessa travessia, sempre haverá espaço para quem acredita que transformar vidas e cuidar do planeta são duas faces do mesmo compromisso.
#VaiSECI